PF pede prisão preventiva de Amauri Pinho: até onde vai a suposta tomada fraudulenta de partidos políticos no Brasil?
Política

PF pede prisão preventiva de Amauri Pinho: até onde vai a suposta tomada fraudulenta de partidos políticos no Brasil?

Brasília, 18 de fevereiro de 2026

A Polícia Federal e o Poder Judiciário analisam um pedido de prisão preventiva contra Antônio Amauri Malaquias de Pinho e Advando Furtado Júnior, no âmbito de um inquérito que investiga a suposta atuação de uma organização criminosa voltada à tomada fraudulenta de partidos políticos e à interferência indevida no processo eleitoral brasileiro.


A investigação ganhou maior repercussão por envolver o PRTB, partido que passou a ocupar espaço relevante no cenário político nacional nos últimos anos.
Da notoriedade nacional à disputa pelo controle partidário
O Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB) alcançou notoriedade nacional a partir da candidatura de Pablo Marçal à Prefeitura de São Paulo, episódio que projetou a legenda para o centro do debate político e ampliou significativamente sua visibilidade pública.
Atualmente, o partido está sob o comando nacional de Leonardo Avalanche, com mandato estatutário válido até 2028. Foi justamente após esse período de maior projeção política que teriam surgido disputas internas e externas pelo controle da sigla, agora sob apuração da Polícia Federal e da Justiça.
Para investigadores, o crescimento da relevância política do partido pode ter despertado interesses estratégicos, tornando a legenda alvo de tentativas de interferência consideradas ilegais.
Pedido de prisão e “escalada delitiva”
Segundo documentos que embasam a representação, novos elementos colhidos durante a investigação indicariam uma escalada delitiva, com possível coação de testemunhas ligadas ao próprio inquérito.
De acordo com a notícia-crime, Amauri Pinho, por intermédio de Advando Furtado Júnior, teria pressionado e ameaçado convencionais do Diretório Nacional do PRTB para que alterassem depoimentos já prestados, passando a corroborar uma narrativa considerada fraudulenta pelos investigadores.
A pergunta que se impõe é direta:
👉 Quando a disputa política ultrapassa os limites da legalidade e passa a ameaçar a democracia?
Possíveis crimes apontados pela investigação
A representação sustenta que, se confirmadas, as condutas podem se enquadrar nos crimes de:
Coação no curso do processo (art. 344 do Código Penal);
Embaraço à investigação de organização criminosa (art. 2º, §1º, da Lei nº 12.850/2013).
Para a Polícia Federal, o ponto mais sensível do caso não é apenas a disputa interna, mas a tentativa de interferência direta na produção de provas, o que pode comprometer a lisura do processo eleitoral e a atuação das instituições.
Por que a prisão preventiva está sendo analisada?
O pedido de custódia cautelar foi fundamentado na:
Gravidade concreta dos fatos;
Risco de reiteração delitiva;
Necessidade de garantia da ordem pública e da normalidade do processo eleitoral.
Segundo os investigadores, a manutenção da liberdade dos investigados, diante das alegações de coação de testemunhas, poderia representar risco real ao andamento das investigações.
Um padrão que se repete?
As apurações indicam que o caso envolvendo o PRTB não seria isolado. Amauri Pinho responde a outros processos judiciais que investigam tentativas semelhantes de assumir o controle de agremiações partidárias, por meios considerados irregulares.
Esse histórico levanta um novo questionamento:❓

Trata-se de episódios pontuais ou de um método reiterado de captura de partidos políticos?
Leonardo Avalanche: “fui vítima de uma quadrilha especializada”
Em declaração à reportagem, o presidente nacional do PRTB, Leonardo Avalanche, afirmou ter sido vítima de um grupo organizado, que teria falsificado documentos e assinaturas com o objetivo de tomar o controle da legenda.
“Falsificaram documentos, assinaram em nome de outros e agora, segundo as investigações, estariam coagindo testemunhas. Não permitiremos que quadrilhas se apropriem de partidos políticos para fins escusos”, declarou.
Avalanche afirmou confiar plenamente na atuação da Polícia Federal, da Justiça Eleitoral e do Poder Judiciário, destacando que o partido será reorganizado dentro da legalidade antes das eleições de 2026.
Caso chama atenção de delegado experiente da PF
A reportagem ouviu o delegado aposentado da Polícia Federal Dr. Rodney Miranda, com mais de 30 anos de carreira e ex-secretário de Segurança Pública de Goiás. Para ele, a dimensão do caso é incomum.
“Em toda a minha carreira, nunca vi um grupo ousar fraudar documentos públicos e federais em um nível tão elevado, atingindo instituições como o TSE, a Justiça Federal e a própria Polícia Federal”, afirmou.
Segundo Miranda, as investigações estão em estágio avançado e a responsabilização dos envolvidos seria apenas uma questão de tempo.
O que está em jogo
O caso vai além de nomes e disputas internas. Está em discussão:
a integridade do sistema partidário;
a lisura do processo eleitoral;
a proteção das instituições democráticas.
💬 Você acredita que a prisão preventiva é necessária para proteger a investigação?
💬 Onde termina a disputa política e começa o crime?

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